O livro perdido de Camões na ficção contemporânea


SECÇÃO: ARTIGOS

José Carlos Canoa

Docente no Instituto Português do Oriente, Macau.

Rede Camões na Ásia & África

orcid.org/0000-0001-6091-1293

jose.canoa @ ipor.org.mo

Recebido em: 14 out. 2025.

Aprovado em: 17 nov. 2025.

Publicado em: 15 dez. 2025.

Baixado vezes.
capa do n. 1

Canoa, José Carlos (2025) O livro perdido de Camões na ficção contemporânea, Revista de Estudos Camonianos, Macau: Rede Camões na Ásia & África, 1, 31-46. https://camonianos.pt/numero-1-2025. ISSN: 3134-7223.

Resumo: O artigo indaga sobre a perda de um manuscrito de Camões, o Parnaso, através das fontes históricas. E aborda a sua ficcionalização na literatura contemporânea, destacando o romance O Arquivo das Confissões, de Carlos Morais José. Os testemunhos de Diogo de Couto, registados nas versões sintética e completa da Década 8.ª da Ásia, revelam a amizade e a colaboração literária entre os dois escritores. Couto menciona a pobreza extrema de Camões durante a estadia na Ilha de Moçambique, onde o Príncipe dos Poetas aperfeiçoava Os Lusíadas e escrevia o Parnaso, demonstrando ter tido contacto direto com o manuscrito, que consistiria numa miscelânea de prosa e de verso, e não num cancioneiro poético como o título sugere. O livro desapareceu quando Camões partiu de Moçambique, durante a viagem ou já em Portugal. O Arquivo das Confissões explora a vida de Bernardo Vasques e a inveja que o levou a roubar o Parnaso quando ia para a Índia e encontrou Camões na Ilha de Moçambique. A confissão de Bernardo Vasques é o foco principal da narrativa, revelando a sua luta interior e as motivações por detrás deste crime. Morais José fundamentou-se em teorias sociológicas e filosóficas identificadas no final do seu livro. O alegado desaparecimento do Parnaso é um mistério que ainda hoje convida à reflexão. Através da ficção, este autor baseado em Macau propôs uma nova forma, menos académica, de pensar o destino de um dos livros perdidos mais fascinantes da literatura portuguesa.

Palavras-chave: Parnaso, Ilha de Moçambique, Diogo do Couto, ficção, usurpação de autoria.

Nota editorial: O título, resumo e palavras-chave são apresentados em português e em cantonês.

Videoatas: Uma versão em progresso deste artigo foi apresentada a 6 de junho de 2005 no II Congresso Internacional do Meio Milénio de Camões, Moçambique:

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