Camões e o soneto pastoril: tradição e novidade


SECÇÃO: ARTIGOS

Maria do Céu Fraga

Universidade dos Açores, Centro de Estudos Humanísticos, Portugal

Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra, Portugal

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mcfraga @ notes.uac.pt

Recebido em: 04 nov. 2022.

Aprovado em: 13 dez. 2022.

Publicado em: 30 jul. 2026.

capa do n. extra

Citação recomendada:

FRAGA, Maria do Céu (2026) Camões e o soneto pastoril, Revista de Estudos Camonianos — Núm. Extra, «Ternate 2022», Macau: Rede Camões na Ásia & África, 7-14. https://camonianos.pt/numero-extra-2026. ISSN: 3134-7223.

Resumo: O artigo analisa como Camões foi capaz de cruzar os limites rígidos dos géneros literários renascentistas, focando-se na integração do imaginário bucólico e narrativo na forma fixa e eminentemente lírica do soneto. Ao subverter as normas clássicas e inspirar-se em tradições como as de Virgílio, Sannazaro e Bernardo Tasso, Camões utiliza o soneto pastoril (e piscatório) para criar cenários, perspetivas e personagens ficcionais — como o pastor ou o pescador — que lhe permitem distanciar-se da expressão direta do “eu” poético, e abordar temas como o desencanto amoroso, a injustiça e a crítica social com extraordinária concisão e tensão dramática. O estudo sublinha a unidade e a complexidade da obra camoniana, onde a convergência harmoniosa entre a tradição petrarquista e a inspiração pastoril reflete a capacidade de inovação do poeta em conciliar o mundo antigo e a modernidade de forma profundamente criativa.

Palavras-chave: bucolismo, soneto pastoril, soneto piscatório, Virgílio, Sannazaro.

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