SECÇÃO: ARTIGOS
Vítor Amaral de Oliveira
Professor de língua e literatura portuguesas, Portugal
Bibliografia Nacional Portuguesa
vitor_a_oliveira @ hotmail.com
Recebido em: 04 ago 2026.
Aprovado em: 10 ago. 2026.
Publicado em: 14 ago. 2026.
Citação recomendada:
OLIVEIRA, Vítor Amaral de (2026) Camões, três óperas românticas e Goa, Revista de Estudos Camonianos 2, Macau: Rede Camões na Ásia & África, 47-62. https://camonianos.pt/numero-2-2026. ISSN: 3134-7223.
Resumo: Este artigo analisa a construção do estereótipo romântico de Luís de Camões no século XIX e a sua evolução dramatúrgica e operática através de três versões de uma mesma obra lírica. Apropriado pelo Romantismo europeu como o protótipo do herói poético, amante e sofredor — imagem consolidada por imprecisões e idealizações biográficas introduzidas pelas traduções francesas da obra de Camões no século XVIII — Camões tornou-se figura central no teatro e na música europeus. A partir do libreto original de Henri de Saint-Georges para a ópera-cómica L’Esclave du Camoëns (1843, com música de Friedrich von Flotow), a narrativa, repleta de anacronismos históricos e equívocos geográficos, centra-se no triângulo amoroso e de sacrifício entre o poeta no exílio, o rei D. Sebastião e a escrava Griselda/Indra/Alma. O estudo detalha a fracassada e incoerente sobrevivência alemã da obra como Indra (1852, por Gustav zu Putlitz) e a sua reestruturação final e mais equilibrada em quatro atos, Alma, l’Enchanteresse (1878), demonstrando como a ficção romântica subordinou a verdade histórica ao espetáculo, ao exotismo e à exaltação do génio artístico.
Palavras-chave: Camões, ópera, Romantismo, exotismo, Goa.
Videoatas: Uma versão em progresso deste artigo foi apresentada a 14 de março de 2026 no III Congresso Internacional do Meio Milénio de Camões, Goa e Damão, Índia:
REFERÊNCIAS
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