‘Aquela Cativa’, de Camões, e ‘À une dame créole’, de Baudelaire: exotismo e cativeiro emocional


SECÇÃO: ARTIGOS

Irene Silveira Almeida

Professora Assistente, Curso de Francês e Estudos Francófonos, Escola de Línguas e Literatura Shenoi Goembab, Universidade de Goa, Índia.

Rede Camões na Ásia & África

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irene @ unigoa.ac.in

Recebido em: 08 out. 2025.

Aprovado em: 07 nov. 2025.

Publicado em: 15 dez. 2025.

Baixado vezes.
capa do n. 1

Almeida, Irene Silveira (2025) ‘Aquela cativa’, de Camões, e ‘À une dame créole’, de Baudelaire: exotismo e cativeiro emocional, Revista de Estudos Camonianos, Macau: Rede Camões na Ásia & África, 1, 23-30. https://camonianos.pt/numero-1-2025. ISSN: 3134-7223.

Resumo: Este artigo propõe uma leitura comparativa entre ‘Aquela cativa’ de Luís de Camões, e ‘À une dame créole’, de Charles Baudelaire, focalizando o modo como ambas as obras constroem figuras femininas racializadas situadas em contextos coloniais. Embora nascidas de tempos e impérios distintos — o mundo luso-renascentista do século XVI e o universo francês pós-napoleónico do século XIX — os dois poemas partilham uma estrutura de desejo atravessada pela alteridade e pelo fascínio estético. As mulheres retratadas, uma africana cativa e uma dama crioula, são inicialmente colocadas sob o olhar europeu como objetos exóticos e subalternos. No entanto, ambas desafiam essa posição por meio de uma inversão afetiva e simbólica. Este estudo busca mostrar como ambas as poesias não apenas retratam o desejo colonial, mas também revelam, de modo sutil, as fissuras desse mesmo desejo, ao permitir que as figuras femininas transcendam a condição de objetos de desejo passivos e assumam, com tranquila autoridade, o papel de verdadeiras captoras da imaginação poética europeia.

Palavras-chave: Luís de Camões, Charles Baudelaire, exotismo, cativeiro emocional, agência feminina.

Nota editorial: O título, resumo e palavras-chave são apresentados em português e em concanim.

Videoatas: Uma versão em progresso deste artigo foi apresentada a 6 de junho de 2005 no II Congresso Internacional do Meio Milénio de Camões, Moçambique:

Referências

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